1992 - As Mães da Praça de Maio
No rescaldo da ditadura militar que vigorou na Argentina entre 1976 e 1983, foi reclamado ao Estado argentino o apuramento das responsabilidades pelo assassinato de cerca de 30.000 civis, assim como o desaparecimento de 10.000 pessoas, incluindo o sequestro de 500 bebés, colocados sob a "guarda" de famílias de militares afectos ao regime.
Foram muitas as mulheres que, manifestando-se na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada (Buenos Aires), vieram exigir notícias dos seus filhos e de outros familiares.
Todas as quintas-feiras, repetia-se o ritual do ajuntamento, junto ao palácio presidencial, de um grupo de mulheres, cuja imagem de marca era a de cobrirem a cabeça com um lenço branco. Essas mulheres exigiam às autoridades informações acerca do paradeiro dos desaparecidos no contexto da "Guerra Suja" desencadeada pelos militares fiéis à ditadura.
Esse grito de angústia não tardou em chegar aos quatro cantos do Mundo. Este ficava a saber que um movimento de mulheres decididas e corajosas, e que se auto-designava "As Mães da Praça de Maio", ia mantendo sob pressão as autoridades argentinas, enquanto não houvesse notícias dos seus familiares desaparecidos.
A enorme coragem, sempre demonstrada pelas Mães da Praça de Maio, acabaria por ser premiada em 1992, ao ser-lhes atribuído o maior galardão do Parlamento Europeu: o prémio Sakharov.
Foi Hebe Bonafini, a então porta-voz do Movimento que, de lenço branco na cabeça, se deslocou a Estrasburgo a fim de receber o apoio incontestado da grande casa da democracia europeia e, simultaneamente, exprimir o seu reconhecimento aos europeus por estes se associarem à defesa de uma causa justa. São suas as seguintes palavras:
" Deixámos as lágrimas em casa e fomos para a rua lutar pelos nossos filhos"












