1994 - Taslima Nasrin
Nascida em 1962 em Mymensingh, que actualmente pertence ao Bangladesh, formou-se em medicina, mas foi como escritora, poeta e novelista que mais se destacou. Nas suas obras e intervenção pública, salienta-se a sua fortíssima vocação feminista, revelada no livro de 1993 Lajja, que despertou a ira do islão mais radical. Fundamentalistas muçulmanos queimaram a obra aos milhares e pediram a execução de Taslima Nasrin pelas suas opiniões sobre religião, feminismo e sexualidade.
Um amigo desta vencedora do Prémio Sakharov terá inclusivamente dito que ela é "a pessoa mais louca ou mais corajosa que já conheci" (citação do artigo de Mary Anne Weaver "A Fugitive from Injustice", The New Yorker 12 Setembro 1994).
Depois de ver o seu passaporte confiscado, com o Bangladesh -um país maioritariamente muçulmano - em efervescência e com uma fatwa a pender sobre o seu destino, Taslima Nasrin refugiou-se em Estocolmo. Continuou a escrever, recebendo vários prémios literários e honras diversas; foi fellow de Harvard e doutorada honoris causa por várias universidades.
Viveu em muitos países, como a Suécia, Alemanha, Estados Unidos, França, até se instalar em Kolkata, na Índia, em 2004. Também aí foram emitidas fatwas contra ela, para além de uma recompensa de 500 mil rupias pela sua cabeça. Foi fisicamente atacada e viveu confinada à sua residência em Kolkata, antes de ser expulsa pelo governo local; fugiu para Jaipur e depois Deli, onde voltou a estar sob prisão domiciliária. Saiu da Índia em 2008. Tentou regressar algumas vezes, mas o governo indiano negou-lhe o direito de residência.
Taslima Nasreen continua a não ter permissão para entrar no seu país, o Bangladesh. A sua coragem é indiscutível mas não cede porque, como escreveu no poema "border" (fronteira), "There's nothing ahead but a river/ and I know how to swim/ Why shouldn't I go?/ I'll go".












