1995 - Leyla Zana
Em 1995, o Parlamento Europeu atribuiu o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento a Leyla Zana.
Nascida em 1961, tornou-se em 1991 a primeira mulher curda a ser eleita para o parlamento turco. Na ocasião, quando fez o juramento obrigatório para qualquer deputado ao assumir as suas funções, pronunciou a última frase em curdo: "(...) Faço este juramento em prol da irmandade entre o povo turco e o povo curdo"; violou assim uma lei turca dos anos 30, que considerava a utilização daquela língua como traição (lei essa que seria revogada em 2002). A reacção dos restantes deputados foi muito violenta.
Em 1994, tendo o seu partido sido banido, perdeu a imunidade política e foi acusada de subversão por pertencer ao PKK (partido dos trabalhadores curdos). O tribunal condenou-a a 14 anos de prisão. Só seria libertada 10 anos depois. Em 1998 foi proposta para o Prémio Nobel da Paz.
Depois da sua libertação, em 2004, continuou a lutar em prol dos direitos do povo curdo. Em 2011 foi novamente eleita deputada, pelo Partido Curdo Paz e Democracia, pela circunscrição de Diyarbakır. Desta vez, porém, Leyla Zana não fez o seu juramento em curdo. Mas um pormenor importante foi destacado por inúmeros observadores: em vez de dizer "o povo turco", como refere o texto oficial, disse "os povos turcos" (Turkey's peoples em vez de Turkish people), um ligeiro desvio ao texto que negou ser propositado; vários comentadores interpretaram esse "desvio de linguagem" como significativo da intenção de Lyela Zana de representar na instituição todos os povos da Turquia e não apenas, como o juramento oficial preconiza, o "povo turco".












