2001 - Izzat Ghazzawi
No ano de 2001 o prémio Sakharov foi atribuído ex-aequo a D. Zacarias Kamwenho, Izzat Ghazzawi e Nurit Peled-Elhanan. Era a primeira vez que tal sucedia nos 14 anos de vida daquele galardão, criado para distinguir todos aqueles que tivessem marcado a cena internacional pela afirmação da liberdade de pensamento e a luta pelos Direitos do Homem.
Dentre os distinguidos em 2001, o primeiro era um bispo angolano. Os dois restantes simbolizavam as duas faces do conflito que vem opondo palestinianos e israelitas. Ambos tinham perdido os respectivos filhos no decorrer de disputas na região.
Foi breve a vida de Izzat Ghazzawi, (1951-2003) o intelectual palestiniano que se dedicou à escrita de romances sobre o sofrimento provocado por Israel nos territórios ocupados. Sofrimento exacerbado, causado pela perda irreparável do seu filho adolescente, Ramy, morto pelo exército israelita, no momento em que socorria um amigo ferido no pátio da escola que frequentava.
Izzat Ghazzawi, enquanto activista pacífico, chegou a ser detido diversas vezes pelas autoridades israelitas em consequência das suas actividades políticas.
Numa das cartas que escreveu na prisão, Izzat Ghazzawi dirigiu-se a um amigo israelita, poeta, que acaba de falecer, Ya'ir Horowitz, procurando retomar um diálogo que a morte interrompera, traçando os contornos de um sonho de paz comum aos dois, esperando resistir ao desencorajamento que os ameaçava, pois este sonho de paz desvanecia-se com o passar dos anos.
O ex-reitor da Universidade de Birzeit (Cisjordânia) morre em 2003 na sua casa em Ramallah, sem, todavia, ter visto o seu sonho concretizado.












