2001 - Nurit Peled-Elhanan

No ano de 2001 o prémio Sakharov foi atribuído ex-aequo a D. Zacarias Kamwenho, Izzat Ghazzawi e Nurit Peled-Elhanan. Era a primeira vez que tal sucedia nos 14 anos de vida daquele galardão, criado para distinguir todos aqueles que tivessem marcado a cena internacional pela afirmação da liberdade de pensamento e a luta pelos Direitos do Homem.

Dentre os distinguidos em 2001, o primeiro era um bispo angolano. Os dois restantes simbolizavam as duas faces do conflito que vem opondo palestinianos e israelitas. Ambos tinham perdido os respectivos filhos no decorrer de disputas na região.

Quem assistiu à cerimónia de entrega do prémio, pode testemunhar momentos de grande emoção, particularmente quando o plenário escutava a intervenção - sentida mas lúcida - de Nurit Peled-Elhanan. Nesse dia, o Parlamento Europeu chorou...

A israelita Nurit Peled-Elhanan, professora de literatura comparada da Universidade Hebraica de Jerusalém é uma conhecida militante pacifista. Após a perda da sua filha, ainda adolescente, em consequência de um atentado suicida palestiniano, passou a criticar publicamente a ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza por Israel.

Para Nurit Peled-Elhanan, Israel adota "uma política míope que recusa o reconhecimento dos direitos do outro e fomenta o ódio e o conflito".

Ao atribuir-lhe o Prémio Sakharov, o Parlamento Europeu visou distinguir alguém representativo "de todos os israelitas que preconizam uma solução negociada do conflito e reivindicam claramente o direito à existência dos dois povos e dos dois Estados com direitos iguais".

Em vez de perder a esperança, Nurit Peled-Elhanan encontrou uma força interior para promover activamente o diálogo entre as duas comunidades. Um dia escreveu que...


"Para acabar com a guerra, é preciso compreender que o sangue de todos tem a mesma cor e que a morte de qualquer criança é a morte de todo mundo".

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